A diabetes está me engordando

É de conhecimento geral que agora a epidemia de obesidade tem dado origem a uma epidemia de síndrome metabólica e diabetes tipo 2. Em outras palavras, (com um pouco de predisposição genética) ser gordo pode torná-lo um diabético.

O que é menos divulgado é que ser diabético do tipo 1 também pode fazer você engordar.

Se eu fosse caracterizar o meu cuidado com a diabetes, eu diria que eu a trato de forma agressiva ao extremo. Se eu ver o nível de minha glicose no sangue começar a subir, ao invés de esperar que ele fique alta para corrigir, faço isso imediatamente. Eu admito que prefiro o nível da glicose um pouco mais baixo do que mais alto.

O benefício deste tratamento agressivo é que posso evitar algum grau de hiperglicemia. A desvantagem? Eu freqüentemente tenho que corrigir na outra extremidade, tendo de comer para trazer o meu nível de volta à normalidade.

Eu faço esta correção geralmente com 5 – 10 gramas de carboidratos, sob a forma de bolachas, ou açúcar, no caso de estar abaixo de 60 mg / dL. (Eu não gosto muito de balas de glicose, e também não tento corrigir com alimentos que eu realmente gosto, porque, como diabético, a minha relação com a comida não é lá muito saudável.)

Estou bastante sensível à insulina e estou fazendo exercícios neste ponto da minha vida, assim eu acabo tendo a necessidade de corrigir a glicemia com maior freqüência. Em média, diariamente eu como cerca de 40 gramas de carboidratos corretivos. Isso é 160 calorias extras (ignorando todas as calorias não-carboidratos extras que as bolachas contêm) por dia.

Cento e quarenta calorias extras, totalmente não-nutritivas. E não gosto disso, mas isto é remédio, não comida. Ugh.

Para ganhar um quilo, em média, uma pessoa precisa comer um extra de 3.500 calorias. Com 160 calorias extras por dia, vou ganhar quase meio quilo a cada três semanas. Ao longo de um ano, vou ganhar cerca de 8 quilos.

A maneira que eu trato o meu diabetes está me fazendo engordar.

Então, quais são as minhas opções? 

A primeira e mais óbvia é usar menos insulina, tratar de forma menos agressiva, corrigir menos a minha diabetes. Eu tentei isso, e, aparentemente, eu não fui paciente ou inteligente o suficiente para fazer direito. Minha glicose subia com muita freqüência para o meu gosto.

A segunda é cortar o excesso de calorias que eu teria normalmente que comer para manter o meu peso. Isso é o que eu faço, e ele funciona, mas é capenga. Isso significa que comer menos acaba me levando a aumentar demais minha ingestão diária de calorias em biscoitos.

Claro, reclamando que eu não gosto de minha fonte de calorias é muito claramente um caso de Problema do Primeiro Mundo. Mas eu vivo no primeiro mundo, e eu me preocupo com a minha saúde, e comer toneladas de carboidratos em açúcar não é a melhor coisa para mim, eu sei.

Então, qual seria a solução, que não fosse uma cura e / ou pâncreas artificial que me forneça a dosagem correta de insulina automaticamente? Vou aguardar sugestões.

Nesse meio tempo, minha diabetes e eu vamos continuar a travar guerras, ela sempre tentando fazer-me cega e gorda, e eu fazendo o meu melhor para resistir. Eu odeio isso tudo.

Karmel nasceu no sul da Califórnia, com diagnóstico de diabetes tipo 1, com a idade de nove anos, e formou-se na Universidade de Berkeley. Karmel agora vive em San Diego com seu marido, e está amando a luz do sol. Trabalha com biologia computacional na Universidade da Califórnia, em San Diego, e está aprendendo a usar a voz ativa quando fala sobre sua diabetes. 

http://asweetlife.org/


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