Diabetes tipo 1: Poderiam as células produtoras de insulina ser regeneradas?

Patrick Collombat, Diretor do Instituto de Pesquisa Inserm e chefe da equipe Avenir no Institut de Biologie Valrose em Nice, publicou novos relatórios sobre diabetes tipo 1. Os pesquisadores mostram que, em algumas cobaias, o pâncreas contém células capazes de serem convertidas em células β produtoras de insulina, algo que poderia ser feito em qualquer idade. Eles também demonstram que todas as células pancreáticas β podem ser regeneradas várias vezes e que a diabetes quimicamente induzida em ratinhos, pode assim ser “tratada” repetidamente. O desafio para os estudiosos agora de demonstrar que estes procedimentos podem ser aplicados a seres humanos.  Este trabalho foi publicado na revista online Developmental Cell no dia 27 de junho de 2013.

A diabetes tipo 1 é caracterizada pela perda seletiva, no pâncreas, das células β produtoras de insulina, sendo uma condição que afeta mais de 30 milhões de pessoas em todo o mundo. Apesar dos tratamentos atuais, os pacientes diabéticos do tipo 1 têm uma expectativa de vida reduzida de cinco a oito anos. É neste contexto que entra a equipe Avenir “Diabetes Genetics”,  que tem trabalhado para desenvolver novas abordagens concebidas para regenerar essas células.

Em 2009, pesquisadores do Instituto de Biologia Valrose (Inserm / Universidade de Nice Sophia Antipolis) conseguiu converter células produtoras de glucagon α em células β, em ratos jovens. Hoje, graças ao uso de camundongos transgênicos, eles relatam os mecanismos resultantes desta troca de identidade da célula. Especificamente, eles mostram que as células do duto pancreático podem ser continuamente mobilizadas e literalmente transformadas em α e subsequentemente em células β, num processo que funciona em qualquer idade.

Essa transformação é obtida através da ativação forçada do gene PAX4 nas células α do pâncreas. A cascata resultante de acontecimentos faz com que haja uma geração de novas células β, graças à reativação de genes de desenvolvimento. Ao longo deste processo, as células α são regeneradas e gradualmente adotam o perfil das células β. Isto significa que o pâncreas tem uma fonte virtualmente inesgotável de células capazes de substituir as células β.

A regeneração de células β no pâncreas

Induzir artificialmente a diabetes tipo 1 em ratos “mostra também que todas as células β pancreáticas podem ser regeneradas pelo menos por três vezes usando esse mecanismo. Diabetes induzida desta forma no rato, pode ser, literalmente, ‘tratada’ várias vezes graças ao novo estoque de células β produtoras de insulina totalmente funcionais”, explica Patrick Collombat, diretor do Instituto de Pesquisa Inserm e principal autor do estudo.

Estes resultados promissores obtidos em cobaias sugerem que as células do pâncreas podem se regenerar várias vezes naqueles que perderam suas células β, como nos diabéticos Tipo I.

“Estamos trabalhando com a possibilidade de induzir tais regenerações usando moléculas farmacológicas. Graças a estes novos dados, vamos nos concentrar nos próximos anos a determinar se estes processos também podem funcionar em humanos, de forma a oferecer melhores tratamentos para pacientes diabéticos tipo 1”, conclui.

 

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