Pais fazem tatuagem na barriga em solidariedade ao filho que tem diabetes tipo 1

Jacob, de apenas 5 anos, passou a usar uma bomba de insulina. Para que o garoto não se sentisse excluído, os pais tatuaram o desenho do produto na barriga

Jacob tinha um ano de idade quando foi diagnosticado com diabetes. A partir daí passou a tomar até 5 injeções de insulina diariamente. Quatro anos após o diagnóstico, compadecidos com o sofrimento do pequeno Jacob, seus pais então arrecadaram fundos para a compra de um sistema de monitoramento contínuo e bomba de insulina através da venda de pulseiras que continham a mensagem: “Juntos por Jacob”. E depois de um ano, conseguiram dinheiro suficiente para isso, cerca de R$ 25 mil. 😯

O aparelho foi entregue como presente de Natal e todos se emocionaram quando vislumbraram o sorriso de Jacob ao ver a bomba. “Jacob ficou tão feliz que dormiu com ela naquela noite ainda, mesmo sem que estivesse funcionando”, disse sua mãe. Pelo jeito, não seria difícil se adaptar à aquele dispositivo, e foi exatamente isso que aconteceu.

“Entretanto, mesmo se acostumando com o uso do aparelho, Jacob se sentia diferente das outras pessoas”, contou sua mãe.

“Dissemos a ele que as pessoas são diferentes uma das outras. Algumas usam óculos, outras cadeira de roda, umas são baixas e outras são altas. Mas isso não deu muito certo”, contou sua mãe. “Ele tinha apenas 4 anos de idade e não entendia porque tinha que ficar com aquele aparelho acoplado ao seu corpo”, disse Phillippe, seu pai.

Diante disso, Phillippe e Camille decidiram fazer uma tatuagem em solidariedade ao filho. Eles tatuaram uma bomba de insulina na barriga de cada um. “Na verdade, nenhum pai quer que seu filho se sinta excluído, por isso não pensamos duas vezes. Agora, cada vez que alguém pergunta o que Jacob carrega embaixo da camiseta, nós três levantamos a blusa e respondemos: uma bomba de insulina”, conta Camille.

Já tem algum tempo que essa história ocorreu e de tempos em tempos ela é divulgada aqui em nossa página. Confesso que apesar de tê-la lido diversas vezes, ainda fico emocionada cada vez que a leio novamente. Ela sintetiza o drama que muitos pais de crianças diabéticas vivenciam ao longo de suas vidas, e não só no Reino Unido onde essa história se passou, mas em qualquer país do mundo, inclusive no Brasil.

O interessante desta história descrita acima, é que ela ainda não acabou. Ainda bem. É bastante desagradável assistirmos a filme que termina feliz apenas. Gostaríamos de poder apertar um botão “Play >” e continuar a ver os romances se frutificando, as vidas se transformando e as crianças crescendo, mas às vezes os diretores dos filmes colocam um “FIM”,  ou melhor, um “The End” ao final que nos deixa frustrados.

Jacob continuará a crescer. Em pouco tempo ele se tornará um adolescente e, como toda criança “normal”, deixará de ser tão dócil, talvez até se transforme num menino rebelde. O tempo passará ainda mais, e a vida o levará por novos caminhos, para outras etapas de seu crescimento.

Ele irá estudar, trabalhar, se aventurar e quem sabe até casar e se tornar um paizão. Poderá até ficar sem ver Camille e Phillippe, seus pais, por muito tempo, isso acontece com as melhores famílias. Ainda bem que o futuro é imprevisível, mas o passado é conhecido e Jacob jamais irá esquecer o amor que seus pais tiveram por ele, um verdadeiro amor que o possibilitou (?) crescer e ser feliz.

O melhor de tudo é que este amor de Camille e Phillippe não é maior do que dos demais pais de crianças diabéticas, para a sorte delas. 🙂

 

raquel

 

Raquel Limonge, tem diabetes do tipo 1 há mais de 30 anos, é psicóloga, desenhista industrial e editora do TiaBeth.com.

 

* Reprodução livre


Similar Posts

Topo