Novo tratamento do diabetes tipo 1 pode reduzir necessidade de injeções diárias de insulina

Testes em humanos começaram em um novo tratamento do diabetes tipo 1 que poderá melhorar a vida dos futuros portadores da doença.

Desenvolvido por cientistas da Universidade de Cambridge, o tratamento pode reduzir as injeções de insulina do paciente que hoje são de várias por dia, potencialmente,para apenas algumas vezes por semana.

O tratamento imunológico retarda os danos ao pâncreas, o que significa que os pacientes recentemente diagnosticados, num futuro breve, poderá ser capaz de reter a capacidade de produzir insulina naturalmente.

“Nosso objetivo é […] de reequilibrar o sistema imunológico para que os pacientes possam reduzir significativamente o número de injeções de insulina necessárias para apenas uma ou duas vezes por semana, ao retardar a progressão da doença”,  diz Frank Waldron-Lynch chefe do estudo clínico sendo realizado na Universidade de Cambridge.

A diabetes tipo 1 é causada quando o sistema imunológico do corpo ataca as células produtoras de insulina no pâncreas. Cerca de 400 mil pessoas no Reino Unido sofrem com a doença. Ao contrário da diabetes tipo 2, ela não é desencadeada por fatores de estilo de vida, como a obesidade.

Nos últimos dez anos, pesquisadores de Cambridge, liderados pelo Professor John Todd, identificaram o gene IL-2 como uma das origens da doença. A via de códigos é a proteína “interleucina-2”, que controla a parte reguladora do sistema imunológico.

Os baixos níveis de interleucina-2 resultam em um sistema imunológico desequilibrado, o que provoca danos no pâncreas.

Isto, eventualmente, destrói a capacidade do pâncreas para criar insulina, fazendo com que apareça a diabetes do tipo 1. Portadores da doença precisam de injeções regulares de insulina artificial, geralmente aplicadas antes ou após as refeições.

Waldron-Lynch e seus colegas, com o apoio do Wellcome Trust, estão pesquisando se as injeções de interleucina-2, na forma de uma droga chamada aldesleucina, pode diminuir o dano ao pâncreas causado pelo sistema imunológico.

Preferencialmente por impulsionar a parte que regula o sistema imunológico, diz ele, espera que os pacientes sejam capazes de manter a produção de sua própria insulina, reduzindo a necessidade de injeções de insulina artificial.

É diferente de tratamentos de imunossupressão, que reduzem a ação do sistema imunológico em geral. Injeções de interleucina-2 simplesmente aumentam o número de células T reguladoras.

O estudo, realizado em conjunto com pesquisadores do Hospital Addenbrooke e do Instituto da Universidade de Cambridge para Pesquisa Médica, começou em maio e, atualmente, possui seis pacientes. Os primeiros resultados são positivos, sem efeitos colaterais detectados, diz Waldron-Lynch. O estudo tem como objetivo descobrir quais doses são mais eficazes, e como injeções regulares da droga deverá ser – uma vez por semana ou podendo ser uma vez a cada duas semanas, diz ele.

O tratamento só será útil para os pacientes nas fases iniciais de diabetes do tipo 1, aqueles com até dois anos após o diagnóstico, antes que os danos no pâncreas tornem-se demasiadamente grandes. (A equipe está à procura de mais pacientes para participar do estudo –  mais detalhes podem ser encontrados aqui).

As injeções de IL-2 foram também pesquisadas, como uma forma de tratamento da doença do enxerto-versus-hospedeiro, em que ocorrem ataques do corpo à célula estaminal e em transfusões de medula óssea, nos transplantes de tecidos ou de outras.

Formas avançadas de insulina basal artificial duradoura também reduzem o número de injeções que um paciente necessita de tomar, como a “degludec“, que permite injeções apenas três vezes por semana. No entanto, estas insulinas de longa duração não abordam o problema dos danos no pâncreas e tem o potencial efeito secundário de causar hipoglicemia, ou baixos níveis de açúcar no sangue.

 

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