Cão é treinado para detectar a hipoglicemia de seu dono

Na longínqua Nova Zelândia, um cão pastor, chamado Uni, foi reprovado no “teste da mordida”, e justo por este motivo não pode prosseguir em sua carreira policial. Melhor para ele e para o felizardo que será dono deste belo animal.

No momento, Uni está sendo treinado por Merenia Donne, para tornar-se um cão de resposta ao diabético, ou seja, um cão que tem a tarefa de detectar o início de uma hipoglicemia antes mesmo que este episódio possa ser percebido pelo seu dono.

Para se tornar um cão detector de hipoglicemia, Uni deverá passar por treinamentos rigorosos, porém sem ter a necessidade de morder alguém, felizmente. Ao final, ele deverá ter um comportamento exemplar em público, não podendo dispersar sua atenção nem por um minuto, mantendo a concentração na pessoa a qual esteja acompanhando.

Merenia Donne disse que Uni é muito doce, bem humorado, e passa a maior parte de seu tempo implorando para ter sua barriga friccionada. Seu treinamento envolverá aprender a resposta correta quando for apresentado a roupas usadas por um diabético durante um episódio de hipoglicemia. A resposta do cão é pensada para ser desencadeada por odores de feromônio.

Uni deverá possuir uma haste de borracha pendurada em um cordão na sua coleira. Quando ele detectar um episódio que se aproxima da hipoglicemia, ele manterá a haste em sua boca e a mostrará a seu dono para que este recupere o seu nível de glicose. Se ele já estiver inconsciente, Uni deverá pressionar um botão de alarme médico.

Me lembro de já ter lido casos similares a este de Uni, e até onde sei, vários países da Europa e os Estados Unidos possuem instituições de treinamento de cães com esta mesma finalidade. Esses animais, mais do que apenas detectar a hipoglicemia, passam a fazer parte da família e muitas vezes proporcionam uma libertação para seus donos que, de alguma forma, não conseguem obter um controle glicêmico satisfatório. Eles também fazem companhia para aqueles diabéticos que não podem estar ao lado de pessoas durante as 24 horas do dia.

Particularmente adoro gatos, mas reconheço que o cão é muito mais fiel, carinhoso e companheiro. Há pouco tempo, durante minhas navegadas pelo Facebook, dentre as centenas de mensagens diárias que recebo, uma me chamou a atenção. Não posso confirmar que disse, mas era atribuída ao escritor Machado de Assis. Dizia que “o cão é feliz, pois reconhece o amigo pelo cheiro”. Eu diria que também é feliz o diabético que tem um cão como Uni.

 

raquel

 

Raquel Limonge, tem diabetes do tipo 1 há mais de 30 anos, é psicóloga, desenhista industrial e editora do TiaBeth.com.

 

* Reprodução livre


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