Exame de sangue pode detectar risco de desenvolver diabetes gestacional

Normalmente diagnosticada no segundo trimestre da gestação, condição pode levar à complicações como icterícia, hipoglicemia e problemas respiratórios

O diabetes gestacional é um distúrbio que acomete de 1% a 3% das grávidas, ocorrendo com mais frequência em mulheres obesas. A maioria das grávidas com diabetes gestacional desenvolve a doença por não conseguir produzir insulina suficiente para regular sua taxa de glicose. O problema pode levar a complicações ao recém-nascido, como icterícia, hipoglicemia e problemas respiratórios. O diabetes gestacional pode levar ainda à hipertensão e à perda de proteínas pela urina durante a gestação. Após o parto, a condição costuma desaparecer. Com o passar dos anos, no entanto, grande parte das mulheres que tiveram diabetes gestacional acabam desenvolvendo diabetes tipo 2.

Agora, uma equipe de pesquisadores japoneses elaborou um novo método para identificar quais gestantes correm mais riscos de desenvolver diabetes gestacional. De acordo com o estudo, publicado no periódico Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, é possível identificar um biomarcador em um exame de sangue e, assim, descobrir quais as mulheres são mais predisposta ao distúrbio — que acomete de 1% a 3% das gestantes em todo o mundo. O exame mede os níveis de uma proteína chamada prorrenina, presente na corrente sanguínea no primeiro trimestre da gestação.

No diabetes gestacional, os níveis de glicose na mulher ficam muito acima do normal. Se o problema não é tratado, aumentam os riscos de o recém-nascido desenvolver complicações como icterícia, hipoglicemia e problemas respiratórios. Além disso, a glicose elevada também pode levar ao parto prematuro e à pré-eclâmpsia — distúrbio caracterizado pela hipertensão arterial e perda de proteínas. Por isso, o diagnóstico precoce do diabetes gestacional é extremamente importante.

“Apesar da importância de intervir o mais rápido possível em casos de diabetes gestacional, na maioria das vezes apenas mulheres com fatores de risco, como obesidade ou histórico familiar, fazem os exames para detectar a doença no início da gravidez”, afirma um dos autores do estudo, Atsuhiro Ichihara, da Universidade de Medicina da Mulher de Tóquio. “Mulheres que não têm esses fatores de risco geralmente são diagnosticadas só no segundo trimestre de gestação. O método identificado nesse estudo oferece a todas as grávidas a chance de conhecer seus riscos logo no início.”

 

Levantamento — Os pesquisadores analisaram o sangue de 716 gestantes nos primeiros três meses de gravidez. Desse grupo, 44 desenvolveram diabetes gestacional. Segundo os pesquisadores, as mulheres que apresentaram os níveis mais altos do receptor prorrenina tinham uma chance aproximadamente três vezes maior de adquirir a doença, se comparadas com as que apresentaram os menores níveis da substância. Segundo Ichihara, estudos recentes também comprovam que os níveis elevados do receptor estão associados a fatores como o nascimento de bebês maiores e pressão alta no fim do período gestacional.

O receptor prorrenina faz parte de um sistema chamado renina-angiotensina, que está ligado ao controle da pressão. De acordo com Lenita Zajdenverg, endocrinologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro, esse receptor vem sendo estudado há algum tempo em diabéticos. Alterações em seus níveis estão frequentemente relacionadas a quadros inflamatórios e vasculares.

 

Opinião do especialista

Lenita ZajdenvergCoordenadora do Serviço de Diabetes e Gravidez da Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)


“O estudo é importante pois tenta descobrir um marcador para o diabetes gestacional, problema cuja incidência cresce cada vez mais devido a fatores como o ganho excessivo de peso da população.

“Quanto mais cedo for feita a detecção do risco de diabetes gestacional, maior a chance de a mulher mudar seus hábitos e evitar o desenvolvimento da doença. Uma dieta balanceada e, quando não é contraindicada, atividade física são essenciais para a prevenção e o tratamento, pois levam à perda de peso. O ganho excessivo de peso sobrecarrega o pâncreas, órgão responsável pela insulina, hormônio que controla a quantidade de glicose no sangue.

“É preciso lembrar que, apesar de importante, esse estudo foi feito na população asiática, que é muito diferente da nossa população. O que é considerado risco para uma mulher asiática pode não ser para uma caucasiana ou negra, e vice-versa. Por isso, seria necessário um estudo mais amplo em termos populacionais para sabermos se essa descoberta vale também para as brasileiras.”

 

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