Amor de mãe para toda vida

A farmacêutica Ednilza e Débora Guedes vivem uma história de amor de mãe e filha que se fortaleceu após a descoberta da doença da filha aos 13 anos

Que amor de mãe é infinito e supera todas as dificuldades não é nenhuma novidade. Mas o diferencial está nas mais diversas formas de expressar esse amor incondicional. Afinal, qual é a mãe que não dedica todas as horas de sua vida ao seu rebento e ao menor sinal de que ele pode estar em perigo, move o céu e a terra, para ajudá-lo. É o caso da farmacêutica bioquímica Ednilza Guedes, 49, suplente do Conselho Federal de Farmácia (CFF), que ao descobrir que a filha Débora, aos 13 anos de idade, era portadora de diabetes tipo 1, teve que mudar a rotina de vida dela.

Segundo Ednilza, a notícia que chegou quando a filha estava na adolescência, ao primeiro momento deixou completamente sem chão. “Os sintomas como emagrecimento, infecção urinária, e um nível de diabetes acima de 500mg/dl com cetoacidose (nível extremamente perigoso para quem contrai a doença), foram comprovados e ela foi internada na no Centro de Tratamento Intensivo (CTI). Naquele momento não sabia qual era o rumo da minha vida, pois sendo da área de saúde me perguntava porque estava passando por essa prova”, contou.

Os valores de glicemia considerados normais, após jejum de oito horas, são de 70 a 99 mg/dl. Para os médicos, valores acima de 126 mg/dl indicam uma suspeita de diabetes, exigindo a realização de exames mais específicos, dentre os quais a curva glicêmica (teste de tolerância a glicose ). No entanto, valores 20% acima de 126 mg/dl são suficientes para se afirmar que uma pessoa é diabética.

A farmacêutica bioquímica pensou em desistir de tudo que fazia como profissional, inclusive do laboratório que havia acabado de montar, mas o amor de mãe falou mais alto. “Muitas reportagens, estudos, seminários nos mostram que os diabéticos podem ter uma vida normal, e concordo plenamente, só que no cotidiano a prática não é tão simples assim”, comentou.

Cinco anos

Hoje, Ednilza mantém uma rotina quase normal com a filha, que hoje tem 18 anos, utilizando e cumprindo a dosagem de insulina que a jovem precisa tomar. Ela também relata que a filha tem uma rotina “policiada” durante 24 horas. “Ao acordar, a Débora tem que medir a dosagem de insulina, e isso se repete por mais duas vezes ao dia ou mais. Quando o nível da diabetes sobe, ela precisa tomar a dose de insulina. Além disso, temos uma atenção redobrada com a alimentação”, contou Ednilza.

A grande expectativa da farmacêutica, agora, é a tão esperada chegada da bomba de infusão de insulina em Manaus. O equipamento está em fase de compra pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Será mais uma conquista para melhor controle da insulina e maior qualidade no seu tratamento”, avaliou. O aparelho eletrônico do tamanho de um celular é ligado ao corpo por um cateter com uma agulha flexível na ponta. A agulha é inserida na região subcutânea do abdômen, braço ou da coxa, e deve ser substituída a cada dois ou três dias. “Cada vez que o corpo da Débora necessitar da insulina, vai liberar automaticamente, sem muitas agulhadas”, completou.

Sem palavras para tanto amor

Para a universitária Débora Guedes, não existem palavras para descrever o amor dela pela mãe. “Minha mãe é meu céu, meu chão, minha vida, meu tudo. Ela me deu a vida quando fui gerada e continua doando todos seus momentos para me manter viva e feliz. O que eu vou dizer se não que a amo incondicionalmente”.

Ednilza conta que faz e faria tudo outra vez, mas revela que ainda tem um sonho para transformar a vida da filha e de todas as pessoas que tem diabetes: que seja descoberta a cura da doença. “O presente de Deus mais especial que eu poderia receber seria a cura para a doença da Débora para que ela pudesse ter uma vida normal. Hoje ela se policia 24 horas para que a diabetes não se agrave”, desabafou a mãe da jovem.

 

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