O doce James Brown

Nesta semana, enquanto descia a serra de Nova Friburgo em direção ao Rio, ouvia um CD com músicas dos badalados anos 60. E de repente nas curvas da estrada, em meio ao som de uma banda de metais ouço um grito: – “I feel good”. Difícil foi ficar sentada e imóvel no carro enquanto tocava música tão eletrizante.

Quem cantava era, nada mais, nada menos, que James Brown, o rei do Soul, americano que nos deixou em 2006. Assim como eu, ele também tinha diabetes do tipo 1, uma doença que pode atingir qualquer pessoa em algum momento de suas vidas.

James Brown é de origem muito pobre. Ele nasceu na década de 30 em meio à grande depressão econômica, num tempo em que o racismo nos EUA era considerado uma barreira. Mesmo assim, quando jovem, se engajou em causas sociais de igualdade do movimento negro. Também era conhecido como o homem que mais trabalhava no show business, fazendo muito mais do que apenas cantar. Sobreviveu a tudo e a todos conseguindo conquistar o mundo.

A maioria de nós tem uma vida bastante simples, mas o fato de uma pessoa famosa ser portadora de diabetes pode servir de exemplo para muitos. E podemos dizer que o músico, cantor, compositor, ator, produtor e político James Brown, foi uma grande fonte de inspiração. Ele levou uma vida plena e altamente bem sucedida, apesar de ter sido diagnosticado ainda quando criança numa época em que os diabéticos não faziam planos para um futuro muito distante.

E mesmo tomando diariamente injeções de insulina ao longo das estradas por onde passou, o que provavelmente não tornava sua vida nada fácil, ele nunca mencionou seu diabetes de uma forma negativa.

Para mim, a música de James Brown se personifica no seu grito, na sua voz rouca e vibrante e em sua dança acelerada. A arte que criou serviu de incentivo para vários outros intérpretes, tendo em Michael Jackson um de seus maiores admiradores. E é com um incrível sentimento de nostalgia que paro de escrever por aqui dizendo a aqueles que gostam de dançar, ou que desejem apenas um tempero a mais em suas vidas, para não deixarem de ouvir suas músicas. Não existe nada como sonhar escutando James Brown, do fundo de sua alma, repetindo mansamente sem cansar… “Baby please, baby please don’t go…”.

 

 

 

raquel

 

Raquel Limonge, tem diabetes do tipo 1 há mais de 30 anos, é psicóloga, desenhista industrial e editora do TiaBeth.com.

 

* Reprodução livre

 

 


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