Bomba de insulina afeta a qualidade de vida da pessoa, mostra estudo

Ser tratado do diabetes com uma bomba de insulina, um dispositivo que é ligado ao corpo para proporcionar um fornecimento contínuo de insulina, pode ter forte impacto sobre a qualidade de vida de quem a usa. A bomba pode ser uma linha de vida, mas também pode ser uma fonte de incômodos. Isso é mostrado em um estudo de longo prazo realizado pela Academia de Saúde da Universidade de Dalarna, Falun, na Suécia, em colaboração com a Clínica de Medicina Interna do Hospital Falun, bem como com a Universidade de Uppsala e da Universidade de Umeå.

A descoberta é parte de um estudo maior, onde, por quatro anos, os pesquisadores acompanharam um grupo de adultos com diabetes tipo 1 sendo tratado com uma bomba de insulina. Níveis de glicose no sangue do grupo, em termos de HbA1c, e sua satisfação com o tratamento foram examinados através de amostras de sangue e pesquisas, respectivamente.

Os pesquisadores, então, continuaram a sua monitorização à longo prazo, com entrevistas, depois com aqueles que já estavam usando uma bomba de insulina por mais de cinco anos. O método de entrevista qualitativa tem vindo a ser um complemento cada vez mais importante para os métodos tradicionais de pesquisa nos últimos anos. Houve apenas alguns estudos desse tipo no mundo. Métodos qualitativos produzem uma boa imagem de como os indivíduos percebem e lidam com sua vida todos os dias com uma doença ao longo da vida.

Os resultados das entrevistas evidenciaram um padrão que pode ser dividido em vários temas. A bomba de insulina foi percebida como sendo uma tábua de salvação, no sentido de que ela trouxe maior independência, maior controle da situação ao sujeito de sua própria vida, e que a vida tornou-se normalizada. Por outro lado, a bomba foi entendida como sendo uma algema, o que significa que o sujeito fica preso à uma tecnologia, sentindo-se estigmatizado, o que pesou contra a doença.

Entre os entrevistados, alguns tinham uma opinião geralmente favorável ao tratamento com uma bomba de insulina, ao passo que outros oscilaram entre favorável e uma posição desfavorável, com um terceiro grupo expressando uma visão predominantemente negativa. Estes temas e pontos de vista não podem ser relacionados com os níveis de glicose no sangue, o que indica que isto não é suficiente para medir a saúde com base exclusivamente em exames médicos. Para obter uma melhor compreensão e uma visão mais holística da saúde e qualidade de vida, é necessário analisar as narrativas a partir de percepções dos sujeitos individuais próprios, tanto por parâmetros médicos, como por pesquisas de saúde.

Nas entrevistas Janeth Leksell, uma das pesquisadoras e professora do campus Falun da Dalarna University, podia ouvir descrições da bomba de insulina como o seguinte:

  • – Meu primeiro passo para uma melhor auto-estima
  • – A bomba significa liberdade e flexibilidade

Mas também:

  • – Eu gosto de vestidos que mostram o meu corpo, mas é difícil usá-los com uma bomba. Em casa, muitas vezes coloco a bomba em meu sutiã, então fica parecendo que tenho três seios.
  • – A bomba faz-me sentir como estar com uma algema. Você sente que está preso a alguma coisa.

As equipes de cuidados precisam ser conscientes de como a bomba de insulina afeta a vida diária dos pacientes, vidas que não são apenas vividas para o diabetes. Os resultados deste estudo podem fornecer orientações e uma plataforma para enfermeiros e médicos de diabetes para darem apoio aos pacientes que vivem com bombas de insulina, de acordo com Anna Garmo, enfermeira que dirigiu o estudo.

 

FONTE: Dalarna University

 

http://www.news-medical.net/news/


Similar Posts

Topo