EUA publicam sua primeira diretriz para tratamento do diabetes infantil

A primeira diretriz americana com orientações para o tratamento do diabetes em crianças e adolescentes entre 10 e 18 anos foi publicada nesta segunda-feira pela Academia Americana de Pediatria, em seu periódico Pediatrics. Em suas orientações inéditas, o órgão americano enfoca principalmente o tratamento do diabetes tipo 2 — variação da doença mais comum em adultos, mas que é cada vez mais diagnosticada em crianças em função da epidemia de obesidade.

Formulada em uma parceria com a Academia Americana de Diabetes, a Sociedade de Endocrinologia Pediátrica, a Academia Americana de Médicos de Família e a Academia de Nutrição e Dieta, a diretriz recomenda que, em primeira instância, o médico tente discriminar qual o tipo de diabetes a criança tem. A preocupação, aparentemente óbvia, fundamenta-se no fato de que a variação do diabetes que é mais frequente em crianças é o tipo 1. Nesse caso, a criança precisa de aplicações rotineiras de insulina, já que seu pâncreas não consegue produzir o hormônio o suficiente. Sua causa não tem uma relação tão próxima ao estilo de vida da pessoa — como obesidade e sedentarismo.

Os casos do diabetes tipo 2 em crianças, no entanto, vêm crescendo em taxas altas nos últimos anos. Assim, os médicos precisam estar atentos para a possibilidade de que a criança tenha desenvolvido essa variante da doença. De acordo com as novas orientações, para esse paciente, o tratamento deve ser feito com mudanças no estilo de vida: inclusão de atividades físicas (no mínimo 60 minutos por dia) na rotina e reeducação alimentar. Há ainda orientações para o uso do tratamento medicamentoso com metformina, remédio que reduz a produção de glicose pelo fígado.

O uso de aparelhos para monitoramento da glicose é sugerido para crianças que estejam em risco de hipoglicemia, mudando o tipo de tratamento, não estejam respondendo à terapia ou tenha doenças intercorrentes. A diretriz recomenda ainda o tempo que a criança passe em frente à TV seja de, no máximo, duas horas por dia.

 

Opinião do especialista

Patrícia Dualibi
Endocrinologista do Centro do Diabetes da Escola Paulista de Medicina (Unifesp)


“A nova diretriz da Academia Americana de Pediatria é importante porque orienta os médicos a prestarem mais atenção ao diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes. No Brasil, a grande maioria dos casos nesses jovens ainda é de diabetes tipo 1. Esse cenário, no entanto, já é diferente nos Estados Unidos, país que vê o número do diabetes tipo 2 em crianças crescer junto com a epidemia de obesidade. A recomendação da AAP aponta quais as situações em que o tipo 2 devem ser considerados, como histórico familiar ou manchas no pescoço e nas axilas. Mas a relevância real da diretriz é o alerta para os médicos de que o diabetes tipo 2 também está afetando nossas crianças e jovens. E precisa ser considerado em todos os atendimentos à doença.”

 

http://veja.abril.com.br/

 


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