Blog Diabetes – Parte 9 – A caneta perdida

Após seu marido perder sua caneta de insulina, TiaBeth passou a carregar seus próprios suprimeintos

– Me passa a caneta de insulina… 😮

– hummm….. não tá contigo? 🙄

– Não. Você sempre guarda aí no seu bolso quando saímos. 😮

– Xiii… então já era. Não estou encontrando em nenhum lugar. 🙁

– Como?!!  Ela estava com uma insulina novinha. E agora? 😯

– Acredite. Isso dói bem mais em mim. Vou ter que lhe comprar outra. 😥

O Rio de Janeiro é uma cidade bem quente. Por isso durante praticamente o ano inteiro, com certa deselegância, só uso bermudas modelo “Cargo”, daquelas cheia de bolsos. TiaBeth nada carregava quando saíamos pela noite, pois sempre havia um compartimento reservado em minha bermuda para seus apetrechos.

Eu e TiaBeth costumamos ir em um restaurante/quiosque de comida árabe ao ar livre na beira da Lagoa, zona sul do Rio. A vista é formidável, a recepção sempre agradável e a música de primeira qualidade. Em um determinado dia ao retornarmos de lá e já estando em casa bem tarde da noite, TiaBeth solicitou-me a insulina “de volta”. Após procurar minuciosamente em cada bolso daquela compartimentada bermuda, não encontrei a caneta que ela tanto utilizava. À partir de então, iniciou-se um martírio que viria a se estender por meses. TiaBeth passou a lamentar a perda de sua preciosa caneta de insulina.

Fiz de tudo para conseguir uma outra nas farmácias próximas, porém não obtive sucesso. Aquela caneta fora ofertada gratuitamente ao comprar a sua Humalog e a promoção não estava mais disponível.

Desde então, quando saíamos, TiaBeth carregava sua própria insulina e seringa numa linda bolsinha comprada em Arraial d’Ajuda. E durante um bom tempo, a cada aplicação de insulina em que estivesse ao meu lado, ela dizia o quanto querida era aquela sua valiosa caneta perdida.

TiaBeth no restaurante Arab da Lagoa - com sua "bolsinha"
TiaBeth no restaurante Arab da Lagoa – com sua “bolsinha”

Um dia resolvi ligar para o Serviço de Atendimento ao Consumidor da Lilly, fabricante da Humalog e perguntei se poderiam me arrumar uma nova caneta. Poucos dias após o telefonema, uma educadora em diabetes desta indústria farmacêutica veio em nossa residência trazendo uma novinha para TiaBeth e ainda, gentilmente, ensinou-a a usá-la, além de oferecer diversas dicas sobre diabetes. Para meu alívio, isto deu fim às lamúrias de TiaBeth.

Pouco tempo depois ao sairmos novamente, TiaBeth dirigiu-se ao toilette para aplicar a sua insulina e …

– Ué?! Onde está a sua caneta de insulina? 😮

– Ah!…Agora estou usando seringa.  A caneta não cabe na bolsinha… 😕

 

marido-tiabeth

Ney Limonge é psicanalista, engenheiro elétrico e casado com Raquel Limonge, diabética do tipo 1 e protagonista das suas histórias. Escreve o blog Psicoanalisando quando lhe sobra tempo e também o  Blog da TiaBeth. Ele não tem diabetes.


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