Bebidas açucaradas contribuem para o aumento da obesidade e diabetes no país

Uma das grandes contribuidoras para a obesidade são as bebidas açucaradas

Com o crescente percentual de obesos no Brasil, o Ministério da Saúde divulgou recente pesquisa que mostra que a diabetes mata mais que a Aids e que os acidentes de trânsito no país. A principal causa é a má alimentação do brasileiro. Mas se engana quem pensa que o problema está somente nos pratos. Uma das grandes contribuidoras para a obesidade são as bebidas açucaradas, como refrigerantes, por exemplo. O estudo da UERJ, desenvolvido pela doutora em Saúde Coletiva, Ana Carolina Reiff, comprovou que o consumo dessas bebidas altera o metabolismo de adolescentes, tornando-as propensas à obesidade.

Rita Adriana Gomes de Souza, também doutora pela UERJ em saúde coletiva, afirmou que há relação direta entre consumo excessivo de bebidas açucaradas e o aumento da obesidade e do número de mortes por diabetes. “É sugerido que os indivíduos que consomem bebidas açucaradas não compensam este consumo reduzindo o consumo de outros itens, o que pode contribuir para o ganho de peso e desenvolvimento de diabetes. Além disso, o açúcar contido nessas bebidas apresenta rápida absorção, efeito esse com importante papel nos níveis glicêmicos sanguíneos. Como se vê, as bebidas açucaradas tem importante contribuição tanto para a obesidade quanto para o desenvolvimento de diabetes”.

Dados do Inquérito Nacional de Alimentação (INA/IBGE) mostraram que os refrigerantes apresentaram uma das maiores médias de consumo diário per capita no Brasil (94,7 g/dia). Para Adriana, que fez sua tese de doutorado baseada na alimentação e obesidade, caberia uma medida semelhante à do cigarro. “Devido a crescente participação das bebidas açucaradas na dieta do brasileiro, por elas serem importante fonte de açúcar e principalmente devido ao forte apelo da mídia para o consumo desses produtos, talvez coubesse uma medida mais enérgica do ministério da saúde no sentido de alertar a população”.

Para a pesquisadora, no entanto, é mais difícil controlar a alimentação do que o tabagismo, pois o cigarro é prejudicial à saúde em quaqluer quantidade. Já os alimentos podem ser consumidos moderadamente. O difícil é a pessoa saber a quantidade ideal. “Os fumantes sabem relatar a quantidade de cigarros fumados por dia. Já com a dieta, se você pedir para a pessoa relatar o que ela comeu cerca de dois dias atrás, ela, possivelmente, não se lembrará bem”, explica a autora. E outra coisa importante: cigarro é maléfico pra saúde em qualquer quantidade. Isso não acontece com a dieta. Bebidas açucaradas, por exemplo, podem ser consumidas desde que de forma moderada”.

Em Nova York, a venda de refrigerantes em tamanhos gigantes foi proibida. Para Rita, essa medida é válida e poderia ser adotada no país. “O aumento do tamanho das porções, algo verificado nos últimos anos, se constitui em um importante fator na manutenção de elevado consumo de energia, causando um super consumo, contribuindo para o aumento da prevalência de obesidade na população. Algumas redes de fast-food, por exemplo, perguntam se o cliente quer aumentar o tamanho das porções, dentre elas a de refrigerante, pagando um pouco mais. Esse tipo de marketing deve ser combatido, a despeito do que foi feito em Nova York”.

Ela, porém, ressalva que tal medida isolada não seria suficiente. “A obesidade apresenta natureza multifatorial, de modo que o controle da mesma dificilmente será alcançado com uma ou outra medida isolada. Isso não invalida, claro, as iniciativas que atuem no ambiente. Acho que um estilo de vida mais saudável também deve ser estimulado”.

Medidas como essa, que tornam o estilo de vida mais saudável, devem ser desenvolvidas principalmente no ambiente familiar, para que crianças não criem o hábito do consumo dessas bebidas. “A incorporação de hábitos alimentares saudáveis deve ser compartilhada no ambiente familiar, pois a influência dos pais nos padrões de estilo de vida dos filhos, incluindo a escolha dos alimentos, indica o importante papel da família em relação ao ganho de peso infantil, sobretudo nos mais pobres”.

A doutora também explicou o porque de as pessoas normalmente “abusarem” mais das bebidas do que da comida. “Líquidos, em geral, demoram mais a acionar os mecanismos de saciedade quando comparados aos alimentos sólidos. Então a gente vai tomando sem perceber. Se esse líquido for uma bebida açucarada, como um refrigerante, por exemplo, até nos sentirmos saciados já teremos consumido grande quantidade de açúcar e de energia extra, o que pode levar ao aumento do ganho de peso”.

Fonte: Agência UERJ de Notícias Científicas.

 

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