Obesidade infantil e em adolescentes está associada a altos níveis de BPA

Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Nova York descobriram uma associação significativa entre altas concentrações de bisfenol A (BPA) na urina e a obesidade de crianças e adolescentes. O BPA é um composto químico banido pela FDA, agência americana que controla alimentos e medicamentos — no Brasil foi proibido pela Anvisa em mamadeiras em 2011 — mas ainda usado em latas de alumínio, como as de refrigerantes e sucos industrializados. O estudo está na edição da próxima quarta-feira do “Journal of the American Medical Association” (JAMA), dedicado à obesidade.

— Esta é a primeira associação do tipo em uma amostra grande e representativa. Nossos resultados demonstram ainda a necessidade de um paradigma mais amplo na forma como pensamos sobre a epidemia de obesidade —, disse o coordenador do estudo, Leonardo Trasande, professor associado de pediatria e medicina ambiental.

Até bem pouco tempo, o BPA, um estrogênio de baixo grau, era encontrado em garrafas plásticas e no revestimento interno de latas por ter uma função antisséptica, mas estudos mostraram que o composto rompe diversos mecanismos do metabolismo que aumentam a massa corporal. A exposição ao BPA também tem sido associada a doenças cardiovasculares, câncer de mama, de próstata, distúrbios neurológicos, diabetes e infertilidade.

“Na população americana, 92,6% das pessoas com 6 anos ou mais identificadas na Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição 2003-2004 (NHANES, na sigla em inglês), tiveram níveis de BPA detectados na urina. Um abrangente estudo sobre poeira, ar externo e interno, e de alimentos sólidos e líquidos em crianças em idade pré-escolar sugeriu que fontes alimentares constituem 99% da exposição ao BPA”, escreveram os pesquisadores.

Usando uma amostra de cerca de três mil crianças e adolescentes, em idades entre 6 e 19 anos, aleatoriamente selecionadas pela medição de urina da NHANES, os pesquisadores puderam fazer uma relação entre a massa corporal e os níveis de BPA na urina. Depois de usar controles para raça/ etnia, idade, nível de escolaridade, sexo, ingestão calórica, pobreza, número de horas de TV assistidas e nível de creatinina na urina, os pesquisadores descobriram que crianças com altos níveis de BPA na urina tinham 2,6 vezes mais riscos de se tornarem obesos. Entre os participantes com os níveis mais altos, 22,3% eram obesos comparados com 10,3% com o níveis menores de BPA na urina.

 

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