Estudo brasileiro mostra que cirurgia bariátrica ajuda a controlar diabetes

Diabetes tipo 2: cirurgia bariátrica eliminou a necessidade de medicamentos em pacientes de estudo brasileiro

Na pré-história das cirurgias bariátricas, elas eram recomendadas apenas para pacientes cujo Índice de Massa Corpórea passava dos 40 (calcule aqui seu IMC). Com a comprovação de benefícios que se estendiam além da perda de peso, principalmente o controle da diabetes, esse limite caiu para 35 em alguns casos. Agora, um estudo brasileiro, que será publicado na edição de julho da Diabetes Care, revista oficial da American Diabetes Association (ADA), indica que a cirurgia também traz benefícios para pacientes com IMC entre 30 e 35.

Feito com 66 pacientes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, de São Paulo, o estudo mostrou que, no prazo de um ano após a cirurgia de derivação gástrica laparoscópica, também conhecida comobypass gástrico, 99% passaram a ter a diabetes tipo 2 sob controle, sem o auxílio de qualquer medicamento.

Os pacientes (40 homens e 26 mulheres), já tinham diabetes de 7 a 12 anos, sem resposta ao tratamento clínico. Foram acompanhados de 2004 a maio de 2011 e 40% usavam insulina antes da cirurgia. “Apenas três meses após a cirurgia já estavam sem insulina, tomando alguns poucos remédios, que foram abandonados totalmente após 1 ano”, diz o cirurgião Ricardo Cohen, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica e coordenador do estudo, em entrevista exclusiva. A doença não reapareceu em nenhum paciente.

A perda de peso não foi fundamental para o controle do diabetes. “Os resultados começaram a aparecer antes da perda de peso”, afirma Cohen. O estudo não foi capaz de descobrir a razão do controle da diabetes. “Temos diversas hipóteses. Segundo a principal, a cirurgia de alguma forma diminui a resistência dos tecidos à ação da insulina.”

O principal objetivo do estudo, no entanto, é demonstrar que a cirurgia bariátrica é eficaz e segura para o controle da diabetes tipo 2. “Hoje esse tipo de cirurgia em pacientes com IMC abaixo de 35 só é feita em protocolos experimentais, como o que nós conduzimos”, diz Cohen. “Queremos juntar esses e outros dados de pesquisas feitas em todo o mundo para mudar as atuais diretrizes em 1 ou 2 anos.”

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