A diabetes toma controle das emoções

 

Muitas pessoas sabem que o diabetes – tipo 1 e tipo 2 – pode prejudicar a saúde física. Mas as variações do nível de açúcar no sangue também afetam suas emoções e, por sua vez, as suas emoções podem causar estragos em seu controle da diabetes .

Níveis extremos de glicose no sangue podem causar alterações de humor significativas, e nova pesquisa sugere que mudanças freqüentes dos níveis de açúcar no sangue (chamado variabilidade glicêmica) também podem afetar o humor e a qualidade de vida daqueles que convivem com a diabetes.

A depressão tem sido costumeiramente ligada a diabetes, especialmente a do tipo 2. Não está ainda claro, no entanto, se a depressão provoca diabetes de alguma forma ou se ter diabetes leva a ficar deprimido .

Uma pesquisa mais recente em pessoas com diabetes tipo 1 descobriu que longos períodos de altos níveis de açúcar no sangue podem desencadear a produção de um hormônio ligado ao desenvolvimento da depressão.

Preocupar-se com diabetes é desgastante

Pessoas com diabetes tipo 1 não podem produzir sua própria insulina e as pessoas com diabetes tipo 2 necessitam de tratamento de insulina, pois seus corpos já não podem produzi-lo em quantidades suficientes.

“Ter diabetes é ter tanta coisa com que se preocupar,  e isso é cansativo. Pode fazer você se sentir impotente”, disse Joe Solowiejczyk, educador e gerente de aconselhamento sobre diabetes na Johnson & Johnson Diabetes Institute, em Milpitas, Califórnia.

“Eu acho que é importante reconhecer que, de tempos em tempos, você vai ter um colapso. Você vai ter dias em que se sentirá irritado, frustrado, triste, negativo e fisicamente exausto”.

Solowiejczyk, que tem diabetes tipo 1, disse que esses sentimentos se tornam um problema “quando você não é capaz de controlar sua própria vida, quando não está monitorando persistentemente o seu diabetes”.

Não só a diabetes aumenta o risco de complicações de saúde graves como, quando não controlada, também pode agravar a depressão, causando um ciclo vicioso.

Diabetes afeta o humor

Além de um aumento do risco de depressão, o diabetes pode afetar o humor mesmo que de um minuto para o outro. Por exemplo, alguém que está passando por uma baixa taxa de açúcar no sangue pode de repente tornar-se irritado, pouco combativo, podendo agir como se estivesse bêbado.

Baixos níveis de açúcar (também conhecido como hipoglicemia) ocorrem quando alguém toma muita insulina ou não come alimento suficiente. Álcool, exercícios e muitos outros fatores podem reduzir os níveis de açúcar no sangue de forma imprevisível.

O problema, diz Solowiejczyk , é “que o cérebro opera totalmente com a glicose. Quando você não tem glicose suficiente, as coisas começam a se embaralhar e sua função cognitiva não funciona muito bem. Este problema é absolutamente fisiológico e nada tem a ver como sendo uma resposta emocional”.

Dr. Vivian Fonseca, presidente de medicina e ciência da American Diabetes Association, disse, “reações de hipoglicemia são muito incompreendidas. Há também algumas variações que não são bem na faixa de hipoglicemia, mas que podem afetar os níveis de ansiedade”.

Elevados níveis de açúcar no sangue (hiperglicemia) também podem levar a alterações de humor. “A hiperglicemia pode afetar sua capacidade de concentração e pode fazer você se sentir mal humorado”, disse Solowiejczyk. “Qualquer alteração do nível de açúcar no sangue fora dos padrões da normalidade, faz você se sentir estranho e desconfortável”.

Baixa qualidade de vida em mulheres

Um pequeno estudo na revista Diabetes Technology & Therapeutics concluiu que as flutuações freqüentes nos níveis de açúcar do sangue em mulheres com diabetes tipo 2 estão associadas a uma menor qualidade de vida e estados de espírito negativo.

Fonseca disse, no entanto, ser importante estes resultados serem replicados em uma população maior.

Embora os níveis de diabetes e de açúcar no sangue afetem as emoções, as emoções também podem afetar os pacientes, os níveis de açúcar no sangue e o controle de diabetes.

Em outro estudo na mesma edição do jornal, pesquisadores testaram os níveis de açúcar no sangue em saltadores não-diabéticos de bungee jump, e descobriu que o estresse do salto acarreta um aumento significativo de seus níveis de açúcar no sangue. Não surpreendentemente, seus hormônios de estresse também foram maiores devido à resposta de luta ou fuga normal do organismo. Quando isso acontece, o fígado libera glicose para produzir energia disponível para as células do corpo, segundo a Associação Americana de Diabetes.

Pessoas com diabetes não tem insulina suficiente para permitir que a glicose se dissipe para as células do corpo, assim em vez de fornecer energia, o açúcar apenas se acumula no sangue.

Outro campo minado emocional freqüentemente associado com diabetes tipo 2 é o conceito de culpa. A maioria das pessoas com diabetes tipo 2 está acima do peso, e muitos são sedentários. Sendo que o excesso de peso unicamente, no entanto, não causa a diabetes tipo 2. Há outros fatores, como predisposição genética, entre outros. Mas porque o exercício e perda de peso podem ajudar a prevenir – ou, em alguns casos, reverter – o diabetes tipo 2, a sociedade muitas vezes culpa as pessoas com a doença. (diabetes tipo 1 é uma doença auto-imune que não é causado por dieta ou falta de exercício.)

“Acho que há um preconceito contra pessoas obesas e pessoas com diabetes tipo 2, e isso é algo com que eles têm de lidar”, Solowiejczyk observou.

 “Diabetes é difícil”

O que é importante, segundo ele, é que se você está constantemente tendo problemas para lidar com qualquer uma das emoções que vêm com o diabetes, você necessita falar com o seu educador, médico ou terapeuta.

“Você deve estar se sentindo mal ou ressentido ou irritado algumas vezes”, disse ele. “Diabetes é difícil, e todos esses sentimentos vêm junto com a doença. Mas se você está irritado ou com raiva, ou se você está triste o tempo todo, você não vai cuidar de si mesmo”.

O mesmo conselho vale para os parceiros de pessoas com diabetes e os pais de crianças com diabetes, disse ele.

Mais informações

Saiba mais sobre o lado emocional do diabetes, e os sinais de depressão, na Associação Americana de Diabetes.
HealthDay


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