Maioria da população de Natal está acima do peso

Hábitos alimentares e falta de exercícios físicos regulares são apontados como causas do sobrepeso

Mais de 306 mil natalenses em idade adulta estão acima do peso ideal. Isso representa um porcentual de 52,3% da população com 18 anos ou mais, segundo pesquisa do Ministério da Saúde divulgada ontem. A pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel-2011) mostra ainda que 108,3 mil natalenses estão obesos. No ranking das capitais brasileiras, Natal ocupa o quarto lugar no segmento “acima do peso e o primeiro do Nordeste (e terceiro nacional) em obesidade, abaixo apenas de Macapá (21,4%) e Porto Alegre (19,6%).

De acordo com o estudo, a proporção de pessoas acima do peso em Natal avançou de 48,9% em 2010 para os 52,3% e o de obesos de 16,7% para 18,5%. O problema é mais frequente entre os homens tanto no sobrepeso como na obesidade. A boa notícia é que o porcentual de adultos fumantes caiu de 18% para 11%. Neste ranking, a melhor situação é da de Maceió (AL), onde apenas 8% declararam ser fumantes e a pior a de Porto Alegre (RS) com 23%. Já o porcentual dos que admitiram ter consumido bebida alcoólica de forma abusiva no período de 30 dias antes da pesquisa foi de 18% dos natalenses.

Outros números mostram o seguinte quadro: 71% das mulheres com idade entre 50 e 69 anos disseram ter realizado mamografia; 73% das mulheres entre 25 e 59 anos confirmaram ter feito exame de citologia oncótica para câncer de colo do útero nos últimos três anos. Esse porcentual coloca Natal no 22º lugar entre as capitais brasileiras.

O estudo retrata os hábitos da população brasileira e é uma importante fonte para o desenvolvimento de políticas públicas de saúde preventiva.  Foram entrevistados 54 mil adultos em todas as capitais e também no Distrito Federal, entre janeiro e dezembro de 2011.

Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o resultado desse levantamento mostra que é necessário continuar investindo em ações preventivas, sobretudo aos mais jovens. “Com o resultado desse levantamento nós conseguimos resultados que permitem aprimorar nossas políticas públicas, que são essenciais para prevenir uma geração de pessoas com excesso de peso”, disse o ministro durante o anúncio dos resultados, ontem.

O problema do excesso de peso entre os homens começa cedo. Entre os 18 e 24 anos, 29,4% já estão com o Índice de Massa Corporal (IMC) – razão entre o peso e o quadrado da altura – maior ou superior a 25 Kg/m², ou seja, acima do peso ideal. Já a proporção em homens com diferença etária de apenas 10 anos (idades entre 25 e 34 anos) quase dobra, atingindo 55% da população masculina. Na faixa etária de 35 a 45 anos, a porcentagem alcança 63% dos homens brasileiros.

O envelhecimento também tem forte influência nos indicativos femininos. Um quarto das mulheres entre 18 e 24 anos está acima do peso (25,4%). A proporção aumenta 14 pontos percentuais na próxima faixa etária (25 a 34 anos de idade), atingindo 39,9% das mulheres, e mais que dobra entre as brasileiras de 45 a 54 anos (55,9%).

O aumento exponencial dos percentuais de obesidade em curto espaço de tempo também assusta. Se entre os homens de 18 a 24 anos, apenas 6,3% são obesos, entre os de 25 e 34 anos, a frequência de obesidade quase triplica (17,2%).

Considerando somente a população feminina, há um aumento de cerca de 6% a cada diferença etária de 10 anos, até chegar aos 55 anos. Entre as brasileiras com idade entre os 18 e 24 anos, 6,9% são obesas. O percentual quase dobra entre as mulheres de 25 e 34 anos (12,4%) e quase triplica (17,1%) entre 35 e 44 anos. A frequência de obesidade se mantém estável após os 45 anos de idade, porém em um patamar elevado, atingindo cerca de um quarto das mulheres.

Programa do Governo tenta conter avanço da obesidade

A obesidade é um forte fator de risco para saúde e tem forte relação com altos níveis de gordura e açúcar no sangue, excesso de colesterol e casos de pré-diabetes. Pessoas obesas também têm mais chance de sofrer com doenças cardiovasculares, principalmente isquêmicas (infarto, trombose, embolia e arteriosclerose), além de problemas ortopédicos, asma, apneia do sono, alguns tipos de câncer, esteatose hepática e distúrbios psicológicos

Um dos objetivos do Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT), lançado em 2011, é parar o crescimento da proporção de adultos brasileiros com excesso de peso ou com obesidade. Para enfrentar este desafio, que começa na mesa, o Ministério da Saúde tem investido em promoção de hábitos saudáveis e firmado parcerias com o setor privado e com outras pastas do governo.

O consumo excessivo de sal, por exemplo, é apontado como fator de risco para a hipertensão arterial. Para diminuir o consumo de sódio entre a população, o Ministério da Saúde firmou acordo voluntário com a indústria alimentícia que prevê a diminuição, gradual, do uso do sódio em 16 categorias de alimentos. “Alimentar-se bem é o primeiro passo para ter uma vida saudável. E esse acordo é importante para que boa parte da população tenha acesso a produtos industrializados mais saudáveis”, explicou o ministro da Saúde.

As metas devem ser cumpridas pelo setor produtivo até 2014 e aprofundadas até 2016. O pão francês, as massas instantâneas e a maionese são alguns dos alimentos que vão sofrer redução de sal.

O ministro Padilha acredita que o programa de academias ao ar livre possa ajudar a combater o sedentarismo no Brasil.

Mulheres são mais sedentárias

O relatório também apresenta dados sobre a prática de atividades físicas. Os homens são mais ativos: 39,6% se exercitam regularmente. Entre as mulheres, a frequência é 22,4%. O percentual de homens sedentários no Brasil passou de 16%, em 2009, para 14,1%, em 2011. Em 2009, 16% dos homens foram classificados como fisicamente inativos.

No entanto, a tendência percebida é de aumento de sedentários com o aumento da faixa etária. Se 60,1% dos homens entre os 18 e 24 anos praticam exercícios como forma de lazer, este percentual reduz para menos da metade aos 65 anos (27,5%). Na população feminina, as proporções são semelhantes em todas as faixas etárias, variando entre 24,6% (entre 25 e 45 anos) e 18,9 % (maiores de 65 anos).

A pesquisa também revela que 42,1 % da população com mais de 12 anos de estudo pratica algum tipo de atividade física. O percentual diminui para menos de um quarto da população (24%) para quem estudou até oito anos. A frequência de exercícios físicos no horário de lazer entre mulheres com mais de 12 anos de estudo é o único indicador da população feminina que figura acima da média nacional (33,9%).

A Organização Mundial de Saúde (OMS) indica que 22% das doenças cardíacas, 10% a 16% dos casos de diabetes tipo 2 e de cânceres de mama, colo e reto poderiam ser evitados mediante a realização de quantidade suficiente de atividade física.


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