Dado Villa-Lobos

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Eduardo Villa-Lobos nasceu em 29 de Junho d 1965 em Bruxelas, na Bélgica, filho do diplomata Jayme Villa-Lobos, e passou sua infância ouvindo seu pai tocar piano clássico todo dia. Aprendeu a ouvir nessa época JS Bach, Caetano Veloso, Chico Buarque, os clássicos Beatles e Rolling Stones.

Aos 12 anos começou a ouvir Beatles, Bill Haley, Little Richard e Chuck Berry. Através de sua irmã mais velha, Bebel, conheceu Transformer de Lou Reed. Aos 14 anos chega a Brasília depois de ter morado na Iugoslávia, Uruguai e  França. Foi quando conheceu o punk dos Ramones, ficou impressionado com a versão deles de Do You Wanna a Dance que costumava ouvir com Jonny Rivers.

Depois que seus pais se separaram, Dado passou a morar com seu irmão Luis Otávio, e com Dinho Ouro-Preto e Pedro Ribeiro na 213 Sul, em Brasília. Foi quando Dado montou sua primeira banda: Dado e o Reino Animal, que fez apenas um show e se destacou por ser a primeira banda da turma a ter teclados.

Nessa época, Dado passou no vestibular de Sociologia da UNB e pretendia depois terminar seus estudos na França, para seguir a carreira de seu pai, só que Dado foi convidado a entrar para Legião Urbana. Em fevereiro de 1983, já com 18 anos, entra para a Legião. A banda composta por Renato Russo, Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e Renato Rocha, tornou-se uma das maiores bandas que já surgiu na história do rock brasileiro até hoje. Dado casou-se com Fernanda Villa-Lobos em 1984, na época empresária da Legião Urbana, com quem tem dois filhos, Nicolau e Miranda.

Em 1992, Dado lançou a loja Rock lt! com André Muller (Plebe Rude) que no início vendia CDs, quadrinhos, RPG, etc., depois passou a ser um selo independente onde o Dado passou a produzir bandas. A Rock It é considerada uma das pioneiras em revelar novos nomes da música pop brasileira.

Em 1996, a Legião Urbana acaba em função da morte de Renato Russo. No ano seguinte ele reúne amigos numa jam session, que resultou na produção  do álbum “Combate Rock: O grande encontro do rock”.

Dado também teve um programa de rádio ‘Dado e o Reino Animal’ no dia 4 de junho de 2001, gravado em seu estúdio, para a rádio online da Usina do Som. Além de apresentar, o músico também fazia a direção artística. O programa era dividido em quatro blocos e ia ao ar todas as segundas-feiras às 16h, com duração de uma hora. Podia ser escutado qualquer dia no site.

Tempos depois, Dado passa a se dedicar à produção de trilhas sonoras para filmes e seriados de tv. Sua primeira trilha sonora foi do filme Bufo & Spallazani (2001, de Flávio Tambellini). Apesar de ser a primeira experiência nesse ramo, Dado ganhou o prêmio de melhor trilha sonora no  Festival do cinema Brasileiro, em Miami.

Posteriormente, Dado também fez a trilha do filme O Homem do Ano (2003, de José Henrique Fonseca) e do seriado da HBO Mandrake (2005). Finalizou em 2006 a fantástica trilha do documentário Pro Dia Nascer Feliz (de João Jardim), recebendo o prêmio kikito de melhor trilha sonora, no Festival de Gramado.

Abaixo segue entrevista de Dado Villa-Lobos à repórter Regina Nascimento da revista De Bem com a Vida realizada no ano de 2001.

Na década de 1980, muitas pessoas jamais imaginariam que quem tivesse diabetes pudesse integrar um conjunto de rock e fazer espetáculos demorados sem prejudicar a saúde. Um conceito que muitas pessoas têm ainda hoje. A história do grupo Legião Urbana se confunde com a maneira de seus integrantes interpretarem a vida. Um jeito atuante, despojado, corajoso com o qual muitos jovens se identificam até hoje e composições que estão vivas na memória de muitos e continuam sendo sucesso.

A Legião Urbana foi formado por uma turma de adolescentes de Brasília em plena época de redemocratização do país, quando todos arranjavam um meio de se expressar, fosse por meio da música, da dança, do cinema, da fotografia ou dos esportes. O músico Dado Villa-Lobos era um desses jovens. Mas para ele o rock exigia mais do que amor e talento, pois o fato de ter diabetes requeria disciplina absoluta.

Dado diz que sente orgulho de ter vencido preconceitos e nunca esconder que tinha diabetes. “Viver não é só existir, mas criar constantemente. Não importa quem você é ou o que você tem. A felicidade está na maneira como você conduz sua vida. O diabetes não tem nada a ver com o sucesso ou o insucesso. Falar sobre o assunto é gratificante porque com o meu exemplo posso estar ajudando um jovem a conviver com o problema de forma natural”, explica.

Ele assume que aos 36 anos está no meio de sua trajetória de vida e tem muito a criar ainda. O músico narra como descobriu o diabetes: “Aos 11 anos, eu morava em Paris. Foi quando comecei a sofrer desmaios (hipoglicÍmicos) esporádicos. Fui levado ao médico e foi diagnosticado o diabetes. Assim que soube do diagnóstico, devorei sacos de balas e doces como despedida, pois imaginava que nunca mais poderia comer açúcar. Isso desencadeou uma hiperglicemia terrível e acabei hospitalizado no dia seguinte. Acho que as crianças têm uma capacidade de aceitação mais imediata e prática facilitando muito as coisas”.

“No início foi complicado. Depois adquiri um maior senso de responsabilidade em relação à saúde em geral”

Dado tem duas irmãs e um irmão. É casado e tem dois filhos: Nicolau, de 13 anos, e Miranda, de 11 anos. Até agora, é o único caso de diabetes na família.

“Ao saber do diagnóstico, minha mãe se desesperou como toda mãe que descobre que seu filho tem um problema sério. Passado o trauma, foi se acostumando e virando aquela mãe implacável que monitora a saúde do filho. Até hoje ela não me dá paz”, constata.

“No início, o diabetes alterou muito minha vida. Eu era semi-interno no colégio e passei a almoçar em casa – dieta, disciplina e injeções diárias. Confesso que para um garoto de 11 anos era muito duro. Aos poucos, adquiri um maior senso de responsabilidade em relação à saúde em geral, reconhecendo os sintomas de uma hiper ou hipoglicemia, a importância de uma alimentação balanceada, aprendendo a lidar com os horários das injeções e refeições, e passei a praticar esportes sistematicamente”, diz Dado.

“Conscientizei-me que, cuidando bem do diabetes, poderia viver muito bem. Hoje monitoro a glicose quatro vezes ao dia, em média, tenho alimentação saudável e faço exercícios diariamente. Quando fazia shows essa atenção era redobrada. Apesar disso, cheguei a ter hipoglicemia durante os espetáculos, porém nada que uma Coca-Cola não tivesse resolvido. Levava sempre uma lata comigo. Alimentava-me antes do show e monitorava a glicemia no camarim. Até hoje, quando viajo, monitoro a glicose com mais freqüência” observa.

“Sonho com clones de minhas células beta”

Dado se define como um cara tranqüilo, mas que também tem seus acessos de raiva e inconformismo. Gosta de viajar, ir ao cinema, teatro e restaurante. “Adoraria ter mais tempo e poder ler mais!” Para ele, os melhores momentos foram o nascimento dos filhos. “O complicado é educá-los!”

O músico revela que os planos profissionais para o futuro estão bem presentes. “Tenho administrado, na medida do possível, os projetos da Legião Urbana, como o lançamento de um songbook da obra completa da banda; sou dono da gravadora Rockit, onde acompanho os projetos e lançamentos à medida que vão surgindo, e passo a maior parte do tempo no meu estúdio. No ano passado, realizei a trilha sonora do filme O Bufo e Spallanzani e já começo a pensar na próxima trilha do filme O Homem do Ano. Espero terminar e lançar meu disco solo em 2002”, vibra.

Além desses projetos, ele espera ardentemente que a ciência desenvolva um método de controle do diabetes mais fácil. “Quem sabe um relógio que monitora a glicose através da pele, ou clones de minhas células beta”, brinca. Dado reconhece que os monitores de glicemia melhoraram muito. Para ele, as pessoas em geral não têm noção do que seja diabetes. “Com certeza o preconceito existe, pois é socialmente inaceitável qualquer tipo de deficiência física. Somos nós que precisamos mudar isso com o nosso entusiasmo e otimismo. O diabetes é uma disfunção, não uma doença. Só depende da gente querer viver bem e ser feliz”.

Dado enfatiza que o objetivo desta entrevista foi passar uma mensagem de otimismo, dando o seu exemplo:        “Consegui chegar aos 25 anos de diabetes tipo 1 sem sequela alguma e agora sou homenageado como ‘diabético-modelo’. Acreditem, o prognóstico para aqueles que estão sendo diagnosticados agora é bem mais favorável e promissor. Eu jamais fui impedido de levar uma vida normal junto dos meus amigos na infância e adolescência, com todos seus excessos e experimentações.

Percebo hoje a importância das pessoas, dos amigos, familiares e médicos que sempre estiveram me cobrando, monitorando e dando o devido apoio esses anos todos. Sou da opinião que o segredo para evitar sequelas e levar uma vida normal é simplesmente não tolerar níveis altos de glicose no sangue por muito tempo, é insuportável e dá um mau humor terrível. O diabetes não é o problema, o problema maior é conviver com gente baixo astral”.


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