Medições mais frequentes da glicose no sangue é a forma mais simples de prevenir episódios de hipoglicemia
Medições mais frequentes da glicose no sangue é a forma mais simples de prevenir episódios de hipoglicemia

Hipoglicemia é uma diminuição no nível de glicose no sangue. O termo literalmente significa “pouco açúcar no sangue”. Ela pode produzir uma variedade de sintomas e efeitos, mas o principal problema resulta do fornecimento inadequado de glicose para o cérebro, resultando em alteração de sua função (neuroglicopenia). Os efeitos podem variar desde disforia leve até convulsões, perda de consciência e (muito raramente) lesão cerebral permanente e morte.

As formas mais comuns de hipoglicemia ocorrem como consequência do tratamento do diabetes mellitus com insulina ou hipoglicemiante oral. A hipoglicemia é menos comum em pacientes não-diabéticos, mas pode ocorrer em qualquer idade. Entre as causas estão a produção excessiva de insulina (hiperinsulinemia), erro inato do metabolismo, medicamentos, álcool, deficiências hormonais, jejum prolongado, alterações do metabolismo associadas com infecção e falência de órgãos.

Considerações iniciais

As suas causas podem ser variadas e surgir em qualquer idade do indivíduo. As suas formas mais comuns, moderada ou severa, ocorrem como uma complicação no tratamento da diabetes mellitus com insulina ou medicamentos orais.

Embora a hipoglicemia possa causar uma variedade de sintomas, o problema principal de sua condição decorre do fornecimento inadequado de glicose como combustível ao cérebro, com prejuízo resultante em suas funções (neuroglicopenia). Os desajustes nas funções cerebrais podem variar desde um vago mal-estar até ao coma e, mais raramente, a morte.

Os endocrinologistas geralmente consideram os seguintes critérios para determinar se os sintomas de um paciente podem ser atribuídos a uma hipoglicemia:

  1. Os sintomas parecem ser causados por hipoglicemia;
  2. a glicemia encontra-se baixa no momento da ocorrência dos sintomas; e
  3. há reversão ou melhoria dos sintomas quando a glicemia é normalizada.

Esses critérios, entretanto, não são unânimes, o próprio valor limite que define uma hipoglicemia tem sido fonte de controvérsias. De qualquer forma, o nível de glicose abaixo de 70 mg/dL ou 3,9 mmol/L é considerado hipoglicêmico. Embora se diga que 70 mg/dL (3.9 mmol/L) seja o limite inferior da glicemia normal, podem definir-se diferentes valores como baixos em diferentes populações, propósitos e circunstâncias. O nível preciso de glicemia considerado baixo o bastante para se definir uma hipoglicemia depende de: (1) método de medição; (2) idade da pessoa; (3) presença ou ausência de sintomas.

Fisiologia da Hipoglicemia

Da mesma forma que a maioria das células de animais, o metabolismo cerebral depende primeiramente de glicose para trabalhar. Por isso, se a quantidade de glicose suprida pelo sangue cai, o cérebro é um dos primeiros órgãos a percebê-lo. Na maioria das pessoas, a eficiência mental parece diminuir quando a glicemia cai abaixo de 65 mg/dL (3,6 mM). Ocorre limitação de ações e de julgamento geralmente quando a glicemia cai abaixo de 40 mg/dL (2,2 mM). Se cair ainda mais, podem ocorrer convulsões. Próxima ou abaixo de 10 mg/dL, a maior parte dos neurônios fica eletricamente desligada, resultando no coma.

A importância de um fornecimento adequado de glicose ao cérebro é clara pelo fato de ocorrerem inúmeras respostas nervosas, hormonais e metabólicas para combater uma hipoglicemia. A maior parte delas é defensiva ou adaptiva: ou tentando aumentar o açúcar no sangue via gliconeogênese e glicogenólise, ou providenciando formas de energia alternativas.

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Desmaios e convulsões estão entre os principais sintomas de uma hipoglicemia severa

 

Sinais e sintomas de hipoglicemia

Os sintomas hipoglicêmicos podem ser divididos naqueles produzidos pelos hormônios contra-regulatórios (adrenalina e glucagon), acionados pelo declínio da glicose, e naqueles produzidos pela redução de açúcar no cérebro.

Manifestações neuroglicopênicas (pouca glicose no cérebro)

  • Atividade mental anormal, prejuízo do julgamento
  • Indisposição não específica, ansiedade, alteração no humor, depressão, choro, medo de morrer
  • Negativismo, irritabilidade, agressividade, fúria
  • Mudança na personalidade, labilidade emocional
  • Cansaço, fraqueza, apatia, letargia, sono, sonho diurno
  • Confusão, amnésia, tontura, delírio
  • Olhar fixo, visão embaçada, visão dupla
  • Atos automáticos
  • Dificuldade de fala, engolir as palavras
  • Ataxia, descoordenação, às vezes confundido com embriaguez
  • Déficit motor, paralisia, hemiparesia
  • Parestesia, dor de cabeça
  • Estupor, coma, respiração difícil
  • Convulsão focal ou generalizada

Manifestações adrenérgicas (adrenalina)

  • Tremores, ansiedade, nervosismo
  • Palpitações, taquicardia
  • Sudorese, calor
  • Palidez, frio, languidez
  • Pupilas dilatadas

Manifestações do glucagon

  • Fome, borborigmo (“ronco” na barriga)
  • Náusea, vômito, desconforto abdominal

Nem todas as manifestações anteriores ocorrem em casos de hipoglicemia. Não há ordem certa no aparecimento dos sintomas. Manifestações específicas variam de acordo com a idade e com a severidade da hipoglicemia. Em crianças jovens com hipoglicemia matinal, há vômito frequentemente acompanhado de cetose. Em crianças maiores e em adultos, a hipoglicemia moderadamente severa pode parecer mania, distúrbio mental, intoxicação por drogas ou embriaguez. Nos idosos, a hipoglicemia pode produzir efeitos parecidos com uma isquemia focal ou mal-estar sem explicação.

Em recém-nascidos, a hipoglicemia pode produzir irritabilidade, agitação, ataque mioclônico, cianose, dificuldade respiratória, episódios de apneia, sudorese, hipotermia, sonolência, hipotonia, recusa a se alimentar e convulsões. Também pode parecer asfixia,hipocalcemia, sepse ou falha cardíaca.

Em ambos, pacientes de longa data ou não, o cérebro pode se habituar a níveis baixos de glicose, com redução dos sintomas perceptíveis em momentos de neuroglicopenia. Diabéticos insulinodependentes chamam a neuroglicopenia incondicionalmente de hipoglicemia, e que é um problema clínico importante quando tenta-se melhorar o controle glicêmico desses pacientes. Outro aspecto desse fenômeno ocorre em glicogenose tipo I, onde a hipoglicemia crônica antes do diagnóstico pode ser mais bem tolerada do que episódios agudos após o início do tratamento.

Quase sempre a hipoglicemia severa a ponto de ocasionar convulsões ou inconsciência pode ser revertida sem danos ao cérebro. Os casos de morte ou dano neurológico permanente que ocorreram com um único episódio envolvem ocorrências conjuntas de inconsciência não tratada ou prolongada, ou interferência na respiração, ou doenças concorrentes severas ou outros tipos de vulnerabilidade. De qualquer maneira, hipoglicemias severas podem eventualmente resultar em morte ou dano cerebral.

Uso inadequado da insulina em diabéticos do tipo 1 é a maior causa da ocorrência de hipoglicemia
Uso inadequado da insulina em diabéticos do tipo 1 é a maior causa da ocorrência de hipoglicemia

Causas da hipoglicemia

Tratamento e prevenção

Procure sempre encontrar a causa de uma baixa glicêmica. A glicemia diária normal não deverá ser inferior a 90 mg/dl (5 mmol/l). Utilize os testes de glicemia para evitar a hipoglicemia. É particularmente importante testar a glicemia ao deitar. Nenhuma criança diabética deverá deitar-se antes das refeições sem que lhe seja feito o teste da glicemia. Não injete insulina antes duma refeição se o valor for inferior a 90 mg/dl (5 mmol/l). Espere que a criança acabe a refeição e só depois injete insulina

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O Glucagon reverte rapidamente os sintomas de uma hipoglicemia severa

Reversão da hipoglicemia aguda

O açúcar sanguíneo pode subir ao valor normal em minutos da seguinte forma: consumindo (por conta própria) ou recebendo (por outrem) 10-20 g de carboidrato. Pode ser em forma de alimento ou bebida caso a pessoa esteja consciente e seja capaz de engolir. Essa quantidade de carboidrato está contida nos seguintes alimentos:

  • 100-200 mL de suco de laranja, maçã ou uva
  • 120-150 mL de refrigerante comum não dietético
  • uma fatia de pão
  • quatro biscoitos do tipo cracker
  • uma porção de qualquer alimento derivado de amido
  • uma colher (sopa) de mel

O amido é rapidamente transformado em glicose, mas a adição de gordura ou proteína retarda a digestão. Os sintomas começam a melhorar em 5 minutos, embora demore 10-20 min até a recuperação completa. O abuso de alimentos não acelera a recuperação e se a pessoa for diabética isto simplesmente causará uma hiperglicemia mais tarde.

Se a pessoa está sofrendo de efeitos severos de hipoglicemia de maneira que não possa (devido a combatividade) ou não deva (devido a convulsões ou inconsciência) ser alimentada, pode-se dar a ela uma infusão intravenosa de glicose ou uma injeção de glucagon.

Prevenção de próximos episódios

A prevenção depende da causa da hipoglicemia. O risco de novos episódios pode ser frequentemente reduzido pelo abaixamento da dose de insulina ou medicamento, ou pela atenção maior à glicemia durante eventos inesperados, diminuição do ritmo de exercícios físicos ou de ingestão de álcool.

Muitos tipos de disfunções congêneres do metabolismo requerem evitar ou encurtar os intervalos de jejum, ou evitar carboidratos extras. Para distúrbios mais severos, como a glicogenose tipo I, isto pode ser feito pelo consumo de amido de milho de hora em hora ou por infusão gástrica contínua.

 

Fonte: Wikipedia