Gordura, frutose e calorias: 5 verdades nutricionais que costumávamos acreditar

Uma amiga minha está tentando perder peso e queria verificar se suas estratégias eram sólidas. Ela disse que conta todas as calorias, evita as nozes por causa do teor elevado de gordura e doces açucarados somente com outros alimentos sem gordura. Ela está no caminho certo?

Se essa conversa acontecesse em 1993, ela estaria feliz com seu conhecimento nutricional. Mas esses pedaços de sabedoria estão muito desatualizados. A ciência nutricional muda rapidamente, e o conhecimento que foi obtido de um livro de nutrição há 25 anos precisa ser atualizado. Veja como a informação nutricional mudou ao longo dos anos e porque é importante manter-se em dia.

1 – Toda a gordura é ruim

Lembro-me do café da manhã no campus que costumava com mais freqüência em 1994: um enorme bagel (uma espécia de rosca doce) de Nova York purinha. Todos nós acreditamos que “a gordura faz de você um gordo”, então a manteiga, o requeijão e a manteiga de amendoim estavam fora de cogitação. Os alimentos sem gordura foram considerados melhores para a saúde, então as nozes, as sementes e o abacate eram desaprovados. Uma dieta baixa em gordura e alta em carboidratos foi a abordagem recomendada para controle de peso e boa saúde cardiovascular.

Verifique o seu menu. Se você ainda está comendo macarrão sem azeite ou pão sem manteiga de amendoim, você está fazendo um desserviço à saúde. A gordura não deve ser temida. Certas gorduras, especialmente as de nozes, sementes, azeite, peixe e abacate, são benéficas para a saúde do coração e controle de peso e podem ajudar a reduzir o risco de desenvolver diabetes tipo 2. Elas devem ser apreciados como parte da dieta diária.

2 – Frutose (açúcar da fruta) é melhor para os diabéticos

O meu livro de nutrição de 1995 diz que “a frutose não causa elevações de açúcar no sangue nas pessoas com diabetes”. A frutose ocorre naturalmente nas frutas, e não faz mal em pequenas doses. Mas na década de 1990, a frutose foi fortemente utilizada como adoçante em alimentos processados, porque achávamos que era mais saudável do que o açúcar branco. Lembre-se de Frookies, os biscoitos adoçados com frutose para pessoas com diabetes? Yikes.

Acontece que o consumo excessivo de frutose – principalmente como xarope de milho de alta frutose – foi associado a resistência à insulina e ao diabetes tipo 2, por isso não é bom para os diabéticos, afinal. Muita frutose também está associada à síndrome metabólicaobesidade e doenças cardiovasculares. A frutose da fruta é boa, mas o consumo elevado de frutose na forma de edulcorantes não é recomendado – tenha você diabetes ou não.

3 – Todas as calorias são iguais

Eu lembro distintamente do meu professor de nutrição dizendo: “Não importa se você comer 300 calorias de maçãs ou de chocolate – uma caloria é uma caloria”. Em meados dos anos 90, as calorias eram todas tratadas da mesma forma, não importava a fonte.

Essa era a visão do túnel dietético. Agora reconhecemos que as calorias de refrigerantes, doces e outros tratamentos oferecem açúcar, mas não oferecem vitaminas, minerais, fibras ou proteínas. Isso é diferente de calorias de legumes, legumes ou peixes, que fornecem nutrientes em cada mordida. Se você ainda conta  calorias, mas não considera nada mais, considere fazer uma consulta com um nutricionista para saber por que os alimentos com nutrientes e densos são uma opção melhor.

4 – O açúcar apenas causa cáries

Meu quarto do dormitório foi abastecido com biscoitos de Snackwell, gomas e Snapple – todos meus prazeres sem gordura (e sem culpa!). Esses alimentos sem gordura são carregados com açúcar. Isso não parecia ser um problema, porque me ensinaram que o açúcar causa cáries dentárias, mas é benigno caso contrário. Eu escovava os dentes duas vezes ao dia, então não havia nenhum mal, certo?

Avanço rápido até 2017, e uma nova história emerge. Estudos recentes ligam o excesso de consumo do açúcar – especialmente de bebidas adoçadas – a um risco aumentado de obesidade, diabetes tipo 2, demênciadoença cardíaca. O açúcar não é tão irrepreensível como pensávamos e deveria ser limitado. A American Heart Association recomenda no máximo seis colheres de chá de açúcar adicionado por dia para mulheres e nove colheres de chá para homens. 30 gramas líquida de Snapple tem 10 colheres de chá de açúcar.

5 – Calorias para dentro, calorias para fora

A perda de peso foi explicada muito simplesmente na escola de nutrição: você vai perder peso, reduzindo as calorias dos alimentos e aumentando as calorias queimadas através do exercício. É isso mesmo – apenas coma menos e se exercite mais. A obesidade era culpa da preguiça e do consumo excessivo.

Agora sabemos que a obesidade é mais complexa do que isso. Envolve genética, fisiologia, nível de atividade, meio ambiente, dieta e status socioeconômico. Além disso, os pesquisadores estão estudando fortemente como a obesidade se relaciona com hormônios como a leptina e a grelina, que nem sequer são mencionados nos livros didáticos dos meus anos 90. Em 2017, pretendemos tratar a obesidade como uma doença e não responsabilizar as pessoas que a possuem. E ainda não temos todas as respostas para o enigma do controle de peso.

Na verdade, não temos muitas respostas sobre a nutrição, que é considerada uma ciência relativamente nova. A pesquisa evolui à medida que os seres humanos evoluem, e a teoria de hoje pode não ser levada a sério amanhã. Será interessante ler este artigo em 25 anos para ver o progresso que fizemos.

 

Cara Rosenbloom, é dietista registrada e presidente da Words to Eat By, uma empresa de comunicações de nutrição especializada em educação nutricional e desenvolvimento de receitas. Ela é co-autora de “Nourish: Whole Food Recipes Featuring Seeds, Nuts and Beans“.

 

https://www.washingtonpost.com/


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