Google mostra que a Inteligência Artificial pode remodelar a medicina

Um diagnóstico instantâneo
Um diagnóstico instantâneo de retinopatia

O trabalho de um médico não é feito somente em salas de exame. Muitos especialistas passam bastante tempo sozinhos com as luzes apagadas, examinando fotografias que revelam o funcionamento interno de seus pacientes.

Isso poderá mudar em breve. Um artigo elaborado pelo Google e publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA) detalha um algoritmo que pode detectar quando alguém desenvolve a retinopatia como resultado de diabetes, que foi desenvolvido e testado por oftalmologistas certificados. Ele mostra que os algoritmos podem, pelo menos no caso deste problema em particular, fazer um diagnóstico com uma precisão semelhante aos melhores profissionais médicos.

Uma diferença fundamental entre esta pesquisa e os trabalhos anteriores em imagiologia médica feitos por grandes empresas de tecnologia, foi sua publicação e defesa feita por uma revista médica respeitada como JAMA.

Concomitante com o artigo do Google, JAMA também publicou um artigo traduzindo o achado para os profissionais médicos e divulgando à comunidade que isto é uma coisa boa – algoritmos podem deixar os médicos passar mais tempo com os pacientes, ao invés de ficarem fazendo exames.

“Parece provável que estes algoritmos irão reformular aspectos específicos destas especialidades tão logo mais algoritmos sejam desenvolvidos para lidar com uma ampla gama de tarefas de imagens médicas. Porque estes algoritmos são, pela sua natureza padronizada, repetíveis e escaláveis, eles podem ser implantados para analisar um grande número de imagens em hospitais de todo o mundo, uma vez que um algoritmo tenha sido desenvolvido e validado, permitindo aos médicos se concentrarem em outros aspectos de sua prática”.

Depois de escrever um post extenso em 27 de novembro detalhando porque as máquinas ainda não podem ser melhores que os médicos, o radiologista Luke Oakden-Rayner viu a pesquisa do Google e foi forçado a reavaliar o seu ponto de vista.

“Continuo convencido de que ainda não vamos uma máquina superar o médico em qualquer tarefa que seja relevante para a prática médica real”, escreveu Oakden-Rayner. Algumas frases depois, ele continua, “Enquanto eu estava escrevendo isso, literalmente, este último parágrafo, tornou-se falso“. (Ênfase dele.)

A razão pela qual o trabalho do Google é tão bom, ele escreve, é porque eles pagaram, e bem, para criar um bom conjunto de dados a partir de um quadro de oftalmologistas certificados que analisaram cerca de 130.000 imagens para ensinar o algoritmo.

Agora que o método tem se mostrado eficaz, outras pessoas podem copiar a técnica nos diferentes domínios – a radiologia parece um provável alvo – e iniciar as negociações no sentido eventual de uma adoção clínica. O algoritmo em si não foi construído com quaisquer informações proprietárias – ele foi desenvolvido pela primeira vez em um conjunto de imagens de código aberto, em seguida, refinado nas imagens médicas.

Ainda tem um longo caminho a percorrer antes dos algoritmos estarem fazendo diagnósticos reais em hospitais – deverão realizar diversos estudos clínicos. A Google diz que eles estão agora trabalhando com o FDA (Food and Drug Administration) (o órgão regulador nos EUA para este tipo de teste ) e outras agências reguladoras  para trabalhar em novos estudos. A empresa irmã do gigante das buscas, Alphabet, está trabalhando estreitamente com Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido na análise de imagens da retina, e no uso da Inteligência Artificial (IA) numa aplicação para o tratamento do câncer.

 

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