Blog – Parte 16 – O telefonema

O não atendimento de uma simples ligação pode se transformar num drama
O não atendimento de uma simples ligação pode se transformar num drama

– Trimm Trimmmm Trimmmm Trimmm 😯

– ……

Nas quartas feira, dia da folga de minha empregada, eu aproveito para almoçar fora com TiaBeth. Nós temos o hábito de ir num shopping próximo de casa onde podemos escolher entre os mais variados tipos de comida.

Numa dessas quartas, após tomar o café, fui trabalhar e deixei TiaBeth sozinha. E pelo fato de não ter compromissos pela manhã, ela costuma “tocar” seus projetos de patchwork, arrumar a casa ou, como faz na maioria das vezes, volta a dormir, afinal, durante a semana ela dorme bem tarde e invariavelmente acorda bem cedo.

Desta vez encontrava-me no trabalho por volta das 11 horas quando resolvi testar o aparelho celular de um colega. Telefonei para casa a fim de confirmar a hora e local de nosso almoço. Na primeira ligação TiaBeth atendeu, porém nada falou. Liguei em seguida e ocorreu a mesma coisa. Esperei mais um pouco e tentei ligar novamente, agora usando meu próprio aparelho, mas só encontrava a linha ocupada.

Então, subitamente, a minha tranquilidade transformou-se em ansiedade. Decidi pegar o metrô para estar em casa o mais rápido possível, imaginando que algo ruim pudesse estar acontecendo.

Em instantes cheguei na estação Cinelândia, que é a mais próxima de meu trabalho e, por sorte, o trem chegou à plataforma junto comigo. Durante o trajeto, freneticamente continuava a fazer ligações, porém sem obter sucesso em completá-las.

Levou apenas 20 minutos para chegar ao meu destino quando pulei depressa do vagão e corri em direção à saída. Subi uma enorme escada, cheguei ofegante à superfície e disparei ao encontro de TiaBeth. Num embalo alucinante, eu andava, olhava o aparelho e telefonava para casa, tudo ao mesmo tempo. E logo, ao longe, avisto o prédio onde moro. Aumento o ritmo das passadas e com o telefone quase sem bateria, faço uma última tentativa.

– Trimm trimm 😯

– Alô! 😮

Parei… Fiquei em silêncio… Escutei uma voz firme, sem vacilos. Olhei o número para ter certeza e, de repente, tudo perdeu o sentido. Desacelerei os passos, os batimentos cardíacos e todos os pensamentos. Naquele momento, eu tive uma sensação estranha, misto de decepção e alívio. Foi quando o sangue voltou a circular em minhas artérias, pois até então só havia adrenalina. Demorou mais alguns segundos para consegui responder:

– Alô… Você está passando bem? 🙁

– Estou. Por quê? Você já está vindo? Vamos almoçar onde hoje? 😀

Cheguei um minuto depois. TiaBeth estranhou eu ter ido para casa antes do almoço e contou-me que por volta das 10:30 horas um sujeito lhe tirou o sono ao ligar por engano seguidamente. Resolveu então desligar o telefone. Ela não atendeu as minhas primeiras ligações, pois não reconheceu o número, achando que era o mesmo sujeito.

Um brinde às boas notícias - O chopp era meu. TiaBeth bebeu suquinho de limão.
Um brinde às boas notícias – O chopp era meu. TiaBeth bebeu suquinho de limão.

Ao final, tudo foi explicado. Não fiquei chateado e nem poderia, afinal, eu contribuí para o mal entendido. Não foi o primeiro susto pelo qual passei, mas foi a primeira vez que tive pensamentos angustiantes pela incerteza. Restou-me somente relaxar, tomar um banho, trocar de roupa e, finalmente, sair para almoçar com TiaBeth. Fomos ao shopping, conforme combinado desde o início, mas desta vez, ao menos para mim, foi um almoço comemorativo. Ninguém nunca soube do perrengue que passei naquele dia, mas o desfecho não poderia ser melhor.

Ah, a propósito, o almoço estava ótimo. 😉

 

marido-tiabethNey Limonge é psicanalista, engenheiro elétrico e casado com Raquel Limonge, diabética do tipo 1 e protagonista das suas histórias. Escreve o blog Psicoanalisando quando lhe sobra tempo e também o  Blog da TiaBeth. Ele não tem diabetes.

 


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