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Apesar da alta prevalência do diabetes, a doença ainda gera muitas dúvidas para a população em geral, inclusive causa da doença, fatores de risco, melhores tratamentos, dentre outras.

De acordo com a Federação Internacional do Diabetes (IDF), o problema já atinge mais de 42 milhões de pessoas na América Latina e, até 2040, a estimativa é que ultrapasse 69 milhões de pessoas.

O Brasil está na lista dos países com maior prevalência da doença no mundo, totalizando mais de 14 milhões de pessoas com diabetes, o equivalente a 10.2% da população.

Para ajudar a entender um pouco mais sobre o diabetes, a Dra. Mariana Narbot, endocrinologista e Gerente Médica da Novo Nordisk para a América Latina, responde as 15 perguntas mais frequentes sobre a doença.

1. Quais são os tipos de diabetes?

Existem tipos diferentes de diabetes, sendo os principais o tipo 1, o tipo 2 (o mais comum) e o diabetes gestacional.

O diabetes tipo 1 é quando a produção de insulina é pequena ou ausente.

O diabetes tipo 2 é quando há produção de insulina, mas não o suficiente para manter o nível de açúcar do sangue dentro da normalidade.

Já o diabetes gestacional é diagnosticado durante a gravidez, e em geral desaparece após o nascimento do bebê, porém, há uma maior propensão da mãe desenvolver diabetes tipo 2 no futuro.

2. Quais são as principais diferenças entre o diabetes tipo 1 e tipo 2?

O paciente de diabetes tipo 1 produz pouca ou nenhuma insulina, enquanto no tipo 2, essa produção não se dá nas quantidades necessárias. No tipo 1 é sempre recomendado o uso de insulina, que é um medicamento injetável. No tipo 2, além das mudanças no estilo de vida como alimentação balanceada e prática de atividades físicas, pode também ser necessário o uso de medicamentos orais e/ou injetáveis.

3. Quais são os principais sintomas do diabetes?

Os principais sintomas são sede e fome excessiva, maior volume de urina, perda de peso, cansaço e visão embaçada.

Na América Latina, a estimativa é que metade das pessoas que possuem a doença ainda não tenha o diagnóstico. Muitas vezes, isso acontece porque os sintomas são inexistentes ou leves no início e não são exclusivos do diabetes, tornando mais difícil a identificação e a possível confusão com outras enfermidades. Por isso a importância de fazer exames periódicos e, se necessário, diagnóstico precoce.

4. O que é hipoglicemia?

A hipoglicemia é um evento que acontece quando o nível de glicose no sangue está muito baixo (menor de 60 mg/dl). Nas pessoas com diabetes e que utilizam insulina ou medicamentos orais como as sulfoniluréias, pode ocorrer pela irregularidade nos horários de refeições, exercícios físicos intensos e excessivos ou por doses elevadas de insulina ou medicamentos.

Seus principais sintomas são suor em excesso, visão turva, fraqueza, dor de cabeça, palpitações, sonolência, fome súbita, confusão mental e tremores.

Uma forma de evitar estes episódios, além de respeitar os horários corretos das refeições e programar os exercícios físicos, é fazer o uso correto da medicação prescrita pelos médicos.

5. Quais os riscos da hipoglicemia?

Caso não tenha tratamento adequado e a tempo, a hipoglicemia pode se tornar severa e levar à inconsciência, coma ou até mesmo à morte. Também é importante ressaltar a preocupação com danos neurológicos em crianças e distúrbios no sistema nervoso central em adultos.

6. Como diagnosticar o diabetes?

A doença pode ser diagnosticada por meio de diferentes exames de sangue:

  • Glicemia de Jejum – É o mais comum e deve ser realizado após pelo menos oito horas de jejum. Se o resultado for menor que 100 mg/dl, a pessoa não tem a doença. Quando a glicemia de jejum está acima de 126 mg/dl, é feito o diagnóstico de diabetes.
  • Teste Oral de Tolerância à Glicose (Curva Glicêmica) – É feito, normalmente, para confirmar o diagnóstico sugerido nos outros tipos de exame. Feito em diversas etapas, o especialista coleta amostras de sangue em tempos determinados após o paciente ingerir um xarope de glicose. Após duas horas dessa ingestão, se a glicemia estiver acima de 200 mg/dL é confirmado o diagnóstico de diabetes. Entre 140 e 199 considera-se pré-diabetes.
  • Glicemia ao acaso – Glicemia medida ao acaso acima de 200 mg/dL em paciente que tenha sintomas típicos de diabetes, confirma o diagnóstico.
  • Hemoglobina glicada (HbA1c) – Esse exame estima o nível de glicose no sangue nos últimos meses. Se o resultado for maior que 6,5% indica diabetes e entre 5,7% e 6,4%, pré-diabetes.

7. O que é pré-diabetes?

Pré-diabetes é quando um indivíduo tem um valor de glicemia alterado, mas que não chega a caracterizar diabetes. Ou seja, é um estágio anterior à doença, que mostra um alto risco de desenvolvê-la.

Um indivíduo é diagnosticado como “pré-diabético” quando tem glicemia de jejum entre 100 e 126 mg/dl. Ou seja, ele já tem a quantidade de açúcar na circulação acima do nível considerado ideal, mas ainda não requer medicação para redução da glicemia.

A alimentação equilibrada associada à atividade física regular e perda de peso é essencial para prevenção do diabetes. Perdas de peso modestas, como 5% do peso corporal, podem contribuir para a prevenção do diabetes.

8. Quais são as complicações do diabetes?

As complicações crônicas principais podem ser divididas em dois grupos, as microvasculares, que causam danos nos vasos sanguíneos pequenos, e as macro vasculares, atingindo os grandes vasos.

As complicações microvasculares podem levar a problemas nos olhos (retinopatia), rins (nefropatia) e nervos (neuropatia). As complicações macro vasculares ocorrem devido à aterosclerose – acúmulo de gordura e outras substâncias nas artérias, restringindo a passagem do sangue – podendo levar à infarto (doença arterial coronariana), derrame (acidente vascular cerebral) e doença vascular periférica.

9. Diabetes causa cegueira?

A cegueira decorre de um estágio avançado da retinopatia diabética, uma das complicações crônicas consequentes ao controle inadequado do diabetes. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, até 40% dos pacientes portadores da doença podem sofrer desses tipos de complicações crônicas. Portanto, diagnóstico e tratamento precoces são importantes para evitar complicações na vida de uma pessoa com diabetes.

10. Pacientes com diabetes têm restrições alimentares?

O paciente deve ter uma dieta individualizada, mas, via de regra, é importante o controle da ingestão de carboidratos (açúcares), sobretudo os simples, gorduras e calorias totais. O ideal é ter o acompanhamento de um nutricionista especializado na doença que poderá orientar da melhor forma.

11. Açúcar causa diabetes?

O consumo de açúcar isoladamente não pode ser apontado como causa da obesidade, diabetes ou outras doenças graves.

O excesso de açúcar na dieta não é o único vilão. O consumo exagerado de gorduras, bem como o sedentarismo, contribuem para o ganho de peso, que é um dos fatores que aumenta o risco de desenvolver o diabetes tipo 2. Assim, podemos concluir que uma alimentação inadequada e falta de atividade física aumentam a chance de desenvolver diabetes tipo 2 e não somente o alto consumo de açúcar. Além disso, o diabetes tipo 2 é uma doença multifatorial, ou seja, fatores genéticos e ambientais (estilo de vida) se somam para que a doença se instale.

12. Pessoas com diabetes podem consumir bebidas alcoólicas?

O consumo de álcool é permitido, porém com muita moderação. Se isolado, pode levar à hipoglicemia e se exagerado pode prejudicar o reestabelecimento dos níveis de glicose no sangue, já que o álcool por natureza tende a diminuir essas taxas no organismo.

Além disso, as bebidas fermentadas como cervejas, bebidas doces ou à base de carboidratos possuem alto índice glicêmico e podem trazer problemas para pessoas com diabetes.

13. Quando o paciente tem de fazer uso de insulina?

A insulina é indicada para pacientes com diabetes tipo 1 e é uma das opções de tratamento para o diabetes tipo 2. Há vários tipos de insulina no mercado e o médico deve indicar o melhor tratamento de acordo com cada caso.

14. Ter diabetes significa que farei aplicações de insulina pelo resto da minha vida?

No caso do diabetes tipo 2, não. Quando diagnosticado precocemente, o diabetes tipo 2 pode ser tratado por meio de uma reeducação alimentar, exercícios físicos e medicamentos orais. A melhor forma de tratamento para o tipo 2 depende da progressão e gravidade da doença. Já o diabetes tipo 1 sempre requer o uso de insulinas, pois sua produção pelo organismo está comprometida desde o início.

Vale destacar que o tratamento para o diabetes evoluiu significativamente nos últimos anos, tanto no que se refere aos medicamentos orais quanto com relação às insulinas disponíveis. Ademais, a evolução da terapia com insulina trouxe várias melhorias, como a diminuição dos efeitos colaterais (hipoglicemia), necessidade de um número menor de aplicações ao dia, além de formas de aplicação que possibilitam praticidade, maior precisão e mais conforto para o paciente, como é o caso das canetas para aplicação disponíveis no mercado.

Cada paciente deve avaliar junto ao seu médico qual o melhor tratamento disponível, o que não implica, necessariamente, no uso de insulinas injetáveis.

15. Estresse descontrola o diabetes?

Sob estresse, a taxa de glicose no sangue de uma pessoa pode subir. Portanto, controlar o estresse colabora para manter os níveis de glicose no sangue equilibrados.

Fonte:

  • Novo Nordisk